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Em busca do essencial


Photo by Brooke Lark on Unsplash

Não acredito que já estamos em fevereiro e este é o primeiro post de 2021. Embora eu ame escrever, é sempre mais complicado decidir um tema que seja interessante tanto para mim quanto pro leitor, e que eu consiga traduzir em texto.

Até um momento atrás eu pensei em discutir sobre outros assuntos, mas na hora de criar um título, tive um insight do livro "Essentialism" de Greg McKeown, o qual eu li há alguns anos e até hoje me esforço em aplicar à minha vida. Como o Zero Acumulo traz no seu DNA nuances de minimalismo. acredito que podemos aplicar alguns princípios para facilitarmos o dia-a-dia.

Longe de me considerar uma pessoa minimalista devido à quantidade de tralhas que acumulo, ainda que sustentáveis e que me trazem alegria, eu tenho orgulho das pequenas vitórias que eu tenho obtido em relação à definição de prioridades e rituais de auto-cuidado que tenho adotado. Ainda não tenho uma rotina diária fixa, e nem sei se quero criar uma. Acho que por muitos anos eu me apeguei à ideia de que ser metódica e produtiva - beirando a perfeição, fosse me trazer realização. Por que me permiti acreditar nisso?

Oras, uma coach de carreira deveria idolatrar os "high-performance, goal-oriented, high achievers, etc" que enchem nossos feeds com frases de motivação e a ideia de que a preguiça é a nossa única inimiga. Bom, eu tentei me convencer de que era uma boa ideia e levantei a bandeira do coaching por muito tempo. O coaching em si é uma ótima ferramenta, mas nem todo mundo está preparado para uma mudança tão brusca, tão crua! Dependendo do estágio que a pessoa se encontra, o coaching pode trazer à tona problemas psicológicos que exigem acompanhamento multi-profissional. Em outros casos, pode trazer muita frustração e alguém com potencial para o sucesso desistir no meio do caminho.

Não nego que o coaching me ajudou bastante na minha vida pessoal e por um tempo me senti mais produtiva, disciplinada e até mais magra. Ao passo que era nítida a minha satisfação pessoal, eu também me tornava menos tolerante, mais chata e fazendo julgamentos àqueles que não seguiam o mesmo estilo de vida que eu.

Mas como nada radical dura para sempre, eu despertei quando conheci o Mindfulness, a Meditação, o Yoga, a Ayurveda, a nutrição funcional, e ainda estou descobrindo outros conhecimentos. Talvez nem tenha sido nenhuma dessas ciências que me trouxeram o equilíbrio mental, mas são práticas que adoto e que me trazem benefícios físicos e mentais.

Algo que me ajudou foi me colocar em primeiro lugar em tudo. Sou egoísta? No começo senti culpa, achei que não merecia priorizar as minhas necessidades, mas os anos foram provando que eu só estava postergando a minha felicidade quando me preocupava em não decepcionar alguém (leia-se namorados, amigos, colegas, familiares, etc). Perdi oportunidades, perdi o amor próprio, perdi o mais precioso - o tempo, e nada do que abri mão lá atrás valeu a pena. Pra não falar que perdi tudo, ganhei experiência, maturidade, curiosidade e coragem.

No livro de McKeown, ele afirma que obtemos mais respeito das pessoas quando temos nossas prioridades definidas. Isso inclui falar não para o seu chefe, perder uma reunião porque é aniversário do seu filho, e tudo bem. No final da sua vida profissional, você quer olhar pra trás cheio de arrependimentos enquanto a empresa a qual você se dedicou décadas te tratou apenas como um burro de carga?

Lembrem-se que a maioria (ou todas) das empresas privadas visam o lucro em primeiro lugar. Tratar bem os funcionários e pagar beneficios são o mínimo esperado, inclusive, muitas empresas o fazem porque é lei ou recebem incentivos, e não porque adoram seus funcionários. Na primeira oportunidade ou crise, não hesitam em demitir seus colaboradores para proteger seus interesses.

Claro que o essencial é subjetivo e a minha percepção pode ser diferente que a sua, mas a jornada para a descoberta do que é essencial pra mim ou pra você é a mesma, e exige pouquíssimos passos:

1. Em que momento do dia você se sente leve e feliz?

2. Este momento envolve outras pessoas? Caso envolva, o que lhe traria o mesmo sentimento estando sozinho?

3. Quais passos ou recursos você precisa completar para que este sentimento surja?

4. Vale a pena fazer um esforço todos os dias para trazer este sentimento com mas frequência?

Agora você descobriu o que é essencial pra você. Quando algo é importante pra você, você não hesita, não se arrepende. Não deixe que nada nem ninguém tire isso de você.